Blog

Quer levar seus alunos na Mostra de Cinema Infantil?

agendamentos-mostra-800x541

A 17ª edição da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis acontece de 30 de junho a 08 de julho no Teatro Pedro Ivo. E o melhor, a programação é toda gratuita!

A partir dessa semana já é possível agendar turmas para o Projeto Escola, que oferece sessões de curtas para turmas de instituições públicas e privadas da Grande Florianópolis. São duas sessões por dia, às 9h e 14h30, com a programação cuidadosamente selecionada para uma faixa etária.

Para o agendamento, você precisa encaminhar uma solicitação para o e-mail agendamento@mostradecinemainfantil.com.br informando o nome da escola, a data escolhida, horário e o número de crianças. Depois, é só aguardar o e-mail confirmando a solicitação.

Corra que o número de vagas é limitado!

Depois, venha contar para nós como foi a experiência com a sua turma!

Dicas para fazer uma Mostra na Escola

Compartilhar os filmes produzidos com as crianças e jovens é tão importante quanto seu processo de produção. Como você percebeu na Mostra que fizemos no Cinema do CIC, ver as imagens produzidas e se ver na tela grande deu um novo sentido ao trabalho. Agora é a hora de compartilhar esse momento final dos processos dos grupos com a família e a comunidade do entorno da escola. Não com uma intenção de prestação de contas, mas de proporcionar um espaço de reconhecimento para outras crianças, bem como, divulgar as possibilidades do trabalho com cinema na sala de aula.

Mesmo que a escola não tenha a mesma estrutura de uma sala de cinema, ela é um ponto de encontro entre as crianças, jovens, suas famílias, educadores e por que não da comunidade em geral? Por isso, é importante também ter esse espaço na escola. E essa Mostra merece um preparo com o mesmo carinho e atenção que foi dedicado à produção dos filmes. Por isso, reunimos aqui algumas dicas que podem lhes ajudar nessa organização.

1. O espaço

  • Se a escola tiver auditório com cadeiras que comporte todo o público que você espera, já está garantido um espaço legal para fazer a Mostra;
    Mas o auditório não é condição estritamente necessária para uma sessão de cinema. Você pode transformar uma sala maior, um refeitório ou outro espaço da escola em uma sala de exibição cobrindo as entradas de luz com cortinas ou até mesmo com papel pardo;
  • É importante que o lugar seja também silencioso, longe de fontes sonoras que possam atrapalhar a sessão;
    Se não houver nenhuma possibilidade de espaço dentro da escola, que tal buscar parcerias na comunidade? Outra escola da região pode ter auditório e emprestar durante um período de um dia. Pontos de Cultura, sedes de associação de moradores, galpão de escola de samba e até mesmo salões paroquiais podem ser uma opção;
  • Em qualquer um desses espaços, não esqueça de verificar e garantir a acessibilidade a deficientes físicos e pessoas com dificuldade de mobilidade.

2. O equipamento

  • Para fazer a sessão você vai precisar de um projetor (datashow), caixa(s) amplificadora(s) de som, notebook ou computador e uma tela;
  • Atenção para os cabos! Geralmente os projetores tem um cabo VGA, confira se o notebook tem essa saída, se não, providencie um adaptador. A ligação entre o notebook às caixas de som vai variar de acordo com o modelo das caixas. O cabo mais comum utilizado para caixas amplificadoras é o P2-P10;
  • Se não houver uma tela, a projeção pode ser feita numa parede branca. Apenas garanta que a parede tenha o mínimo de imperfeições, para não interferir na imagem;
  • Sempre teste os filmes nos equipamentos que vai utilizar com antecedência para evitar surpresas na hora da sessão.

3. Os filmes

  • Faça uma seleção prévia dos filmes que vai exibir pensando no seu público, tanto para avaliar o conteúdo quanto para definir o número de filmes e duração da sessão;
  • Se as crianças são muito pequenas, atente para muitos textos no meio do filme que podem excluí-las de uma dimensão do filme, por exemplo.

4. Divulgação

  • Depois de tudo organizado, faça uma divulgação com pelo menos duas semanas de antecedência, para que as famílias possam se organizar para participar;
  • Crie cartazes e convites com as crianças e jovens, espalhe pela escola e envie para as famílias;
  • Se houver espaço para um público mais amplo, conte com os jovens para divulgar nas redes sociais;
    Você pode também nos encaminhar o material que divulgaremos por aqui.

5. No dia da sessão

  • A experiência do cinema não se resume ao filme. Antes da sessão, faça uma acolhida para o público;
  • Chame as crianças e jovens autores dos filmes para conversar com o público depois da sessão;
  • Se houver possibilidade, ofereça pipoca.
  • Não se esqueça de fotografar!

6. Dividir as responsabilidades

  • Assim como na produção do filme, a Mostra também pode gerar um espaço de participação para as crianças e jovens, especialmente se você dividir a responsabilidade do evento com eles;
  • Você pode criar comissões, de acordo com a faixa etária, para  escolha dos filmes, divulgação, teste dos equipamentos, preparo do espaço sempre com sua orientação e acompanhamento.

Agora é hora de pôr as mãos na massa!

Ficou com dúvidas ou quer mais dicas?
Deixe um comentário!

O momento de se encontrar na tela grande

Nos dias 24, 25 e 26 de agosto a sala de Cinema do CIC foi ocupada por mais de 430 crianças, jovens, seus pais e professoras. Na tela, os 15 filmes produzidos por eles mesmos durante o Projeto Cinema na Escola. Após todo o processo vivenciado pelas professoras, ver as crianças e jovens se reconhecendo na tela grande nos proporcionou momentos emocionantes .  

Este slideshow necessita de JavaScript.

A Mostra marcou o encerramento da formação que foi iniciada em novembro de 2016 . Do grupo inicial, 21 professoras se aventuraram conosco ao longo desses últimos meses numa jornada com muitos desafios, dificuldades e descobertas que transformam nossas práticas na escola. Ao final de cada sessão, as turmas subiram ao palco para se apresentar e receber o certificado de participação no projeto.

Nas próximas semanas cada escola produzirá sua Mostra para a comunidade e logo todos os filmes estarão disponíveis online para quem quiser acompanhar os resultados desse trabalho.

Mas o Cinema na Escola não termina aqui! Ainda teremos ações pontuais ao longo desse semestre e continuaremos compartilhando com vocês dicas, sugestões de programação cultural e muito mais aqui no Blog.

Continue com a gente!

Memória do 12º Encontro

Nosso último encontro, que aconteceu dia 11 de agosto, foi o momento de avaliar nosso percurso e confraternizar com o grupo, encerrando um processo de experimentação e aprendizagem iniciado há mais ou menos dez meses. Sentadas em círculo retomamos a “esfera das expectativas” e fomos, uma a uma, lendo a mensagem que havíamos escrito em dezembro de 2016.

Com vozes emocionadas lembramos as dificuldades de conciliar o processo de formação continuada às inúmeras demandas das escolas e à vida pessoal. Destacamos o processo de fazer cinema na escola utilizando o celular, improvisando gambiarras videológicas, conciliando as produções aos inúmeros conteúdos curriculares que temos que ministrar. Lembramos o envolvimento das crianças, o fascínio com o novo, com o tecnológico, com o se ver na tela. O companheirismo, o envolvimento coletivo e a amizade de muitas crianças, trazendo para o filme o que há de terno e bonito na infância.  

Apontamos também as dificuldades, de conseguir apoios sem ter ainda algo concreto para mostrar. O desafio de sensibilizar o olhar adulto para questões corriqueiras, que nos escapam nas correrias diárias, mas que são importantes para a escola e para as crianças. Desabafamos, sem meias palavras, sobre nossa dificuldade em descer da postura professoral e adulta e nos deixar levar pelo lúdico, pela brincadeira.  De se desapegar do  resultado tecnicamente impecável em prol de uma experiência rica e autônoma para os pequenos.

Todo o processo de se posicionar como uma facilitadora do fazer cinema na escola, com e para crianças, passa, mais do que pelo domínio de questões técnicas, por questões éticas e estéticas. Afinal, aprender como segurar uma câmera e mesmo editar um vídeo não é tão difícil assim, praticando e pesquisando tutoriais na web. Muito mais difícil é ter um olhar cuidadoso sobre como e o que estamos produzindo. E esse exercício de fazer consciente, de buscar referências, de filmar, assistir e filmar novamente, de ver e rever o filme, de discutir com os pares e com as crianças todas as escolhas é fazer letramento midiático. Isso significa apropriar-se da escrita do cinema em toda a sua complexidade, que passa não apenas pelo domínio de códigos relativos à imagem, mas pelo apreensão de seus inúmeros significados simbólicos, sociais, políticos, econômicos. E essa é uma viagem sem volta.

Sejam muito bem-vindas caríssimas professoras, ao universo da produção cinematográfica!

cinemanaescolafinal.jpg

Memória do 11º Encontro

Em nosso 11º encontro (dia 23 de junho), continuamos com o tema “edição dos filmes” mas, dessa vez, além da continuidade da experimentação com o software Movie Maker, trouxemos um pouquinho da teoria que pauta nossas escolhas, ao combinar os planos para contar uma história.

Iniciamos este relato com uma sugestão de jogo vindo do teatro[1] para mediar oficinas de edição com crianças e jovens. O jogo se chama Parte do Todo.

Primeiro definimos uma área de jogo, um palco ou uma parte da sala. O primeiro jogador entra nessa área e assume um movimento contínuo que pode remeter a qualquer objeto ou organismo. Assim que outro jogador assimilar um significado para aquele movimento e tiver uma ideia para complementar o primeiro, ele entra na área e passa a compor o todo. O jogo segue até que todos os jogadores estejam na área compondo um único objeto/organismo completo.

Nesse jogo, o “todo” final não necessariamente vai carregar o significado proposto pelo primeiro jogador. Podemos começar com um liquidificador e terminar com um submarino, pois cada jogador que compõe o todo acrescenta uma nova informação, que reflete no modo como concebemos o objeto ou organismo.

Essa é a ideia geral que pauta a edição dos filmes, que relaciona pontos de vista, ângulos e distâncias para a construção da narrativa ou do ritmo/fluidez das imagens.

Vamos viajar um pouquinho na história do cinema para conhecer alguns eventos importantes para a construção dessa ideia?

A edição ou montagem dos filmes tem sua origem logo no início dos experimentos com cinema. “Demolição de um muro” (1896) dos Irmãos Lumière já apresenta a primeira composição entre dois planos, com a projeção do filme seguido pela projeção ao contrário, gerando um efeito de demolição e reconstrução do muro.

George Méliès, um ilusionista francês, demonstra grande interesse pelas imagens em movimento e estende ao cinema seus grandes truques de mágica. Em “O castelo assombrado” (1896), por exemplo, Méliès faz objetos aparecerem, desaparecem e reaparecerem na tela, criando os primeiros efeitos especiais.

Foi ele também que criou o primeiro filme de ficção conhecido, explorando a possibilidade de contar histórias através do cinema. “Viagem à Lua” (1903) combina planos abertos de cenários nos quais astronautas se preparam para uma viagem espacial, chegam à Lua e são recebidos pelos seus habitantes.

Avançando alguns anos, em 1916, D. W. Griffith produz o filme “Intolerância”, um épico de três horas que reúne alternadamente quatro diferentes eventos da história da humanidade envolvendo o tema da intolerância. Ao final do filme, são mostradas cenas desses eventos em paralelo a um evento moderno no qual um jovem é acusado e condenado à morte injustamente. Quando essas cenas são justapostas, fica estabelecida uma relação entre todos esses eventos.

O cinema começa a ser visto como uma espécie de “evolução” do sistema sensorial humano, pois envolve mais de um sentido ao mesmo tempo, o que não ocorria com outros campos da arte. Alguns cineastas que também estudavam o filme como uma filosofia, Eisenstein e Kuleshov, por exemplo, passam a considerar em seus experimentos e teorias pesquisas na psicologia, biologia e semiótica.

Kuleshov realiza o experimento de Mosjukin, colocando em relação o detalhe de um prato de comida,  em seguida o close de um ator com expressão neutra. Essa justaposição cria um terceiro sentido (fome) que será diferente quando a imagem que anteceder o ator for de um caixão (tristeza) ou de uma mulher sensual (desejo). A ideia de promover um terceiro sentido a partir da montagem ficou conhecido como Efeito Kuleshov. Neste link é possível ver uma recriação do experimento através de um mashup de planos de filmes contemporâneos.

Esses eventos e “descobertas” são cada vez mais aprimorados para criar no público uma sensação de imersão na história através da continuidade das ações, do tempo e do espaço. A partir de Eisenstein, e agora pensando em nosso contexto dos projetos de filmes, podemos elencar alguns elementos que nos ajudam a criar lógicas de montagem para os filmes:

  • Tempo: continuidade, condensação (aceleração) ou lentidão, simultaneidade (cenas paralelas), flashback (memória), elipse;
  • Espaço: construção do lugar onde se desenvolve a história, contraposição entre o que está na imagem e o que ficou fora dela;
  • Enquadramento/Escala de planos: aproximação ou afastamento através da progressão dos planos mais próximos e mais distantes (v. “Lá Longe, Aqui perto” nos Cadernos do Inventar);
  • Ângulos: combinação de planos filmados “de cima” (plongée) e “debaixo” (contra-plongée), inclinados, perspectiva, etc.
  • Movimento de câmera: combinação de movimentos com câmera parada, afastamento e aproximação, entre outras possibilidades.

Nosso filme: composição e participação

Este momento de edição será a síntese do nosso processo nas escolas, por isso é importante envolver as crianças e jovens tanto quanto nos outros momentos. Cada professora, junto com seu grupo, vai criar um método para contemplar a participação de todos, mesmo que apenas uma pessoa conduza o trabalho no computador.

Que tal resgatar a tesoura e o durex para fazer uma pré-edição do filme? Podemos criar uma longa timeline como a dos softwares de edição com folhas A4 coladas umas às outras ou com papel pardo. Separe um espaço na parte de cima para as imagens, abaixo para títulos e legendas e mais abaixo para as sugestões de música e narração.  Tire prints de cada vídeo produzido e coloque neles os nomes dos arquivos (para você não se perder depois) e imprima. Depois, assistam juntos aos vídeos e selecionem através das impressões aquelas que vocês querem usar para o filme e organizem na timeline de papel. Indique abaixo as legendas (se necessário), música e narrações. Separe um bom tempo para essa atividade, pois a ideia é que se possa ter um momento de lembranças e partilha de sensações.

Você tem outras ideias para envolver as crianças menores no processo? Aproveite o espaço dos comentários neste post para compartilhar suas ideias conosco e com os colegas!

 

Karine Joulie.

[1] Jogos Teatrais na Sala de Aula. SÃO PAULO: PERSPECTIVA, 2008.

Dicas para assistir filmes online e gratuitos

Você sabia que pode assistir curtas-metragens brasileiros online e gratuitamente?

A ampliação do repertório para além do que temos disponível no âmbito comercial faz parte dos processo de formação para um trabalho crítico e criativo com cinema. Nesse sentido, em alguns de nossos encontros  exibimos curtas-metragens brasileiros para promover discussões sobre algum tema ou sobre questões da linguagem audiovisual. Os curtas são filmes de até 20 minutos, perfeitos para exibição em sala de aula quando não se tem muito tempo ou para a combinação de dois ou mais filmes com algum aspecto comum e fazer uma Mostra. Pensando nessas possibilidades, trouxemos aqui quatro sugestões de sites que reúnem curtas brasileiros de ficção e documentários para assistir online gratuitamente.

Porta-Curtas
O site Porta Curtas foi criado em 2002 para apresentar um panorama da produção brasileira das últimas décadas. Hoje tem 1278 curtas-metragens disponíveis que podem ser encontrados através dos gêneros ficção, documentário, animação e experimental. Também traz canais com indicações de usuários, diretores e festivais. É possível se inscrever e avaliar os filmes. Dentro do site é possível encontrar uma guia para o projeto “Curta na Escola”, projeto que oferece indicações de filmes e planos de aula para diversas faixas etárias.

Curta Doc
O projeto surgiu em 2009 como um programa para o SescTV e desde 2011 também tem um espaço na internet com um acervo de 1367 documentários latino americanos divididos por temas como comportamento, viagem, identidade, etc. Conforme exposto no próprio site “o CurtaDoc quer ajudar a promover o acesso, o intercâmbio, a integração entre os países e idiomas, valorizando a produção e difundindo o audiovisual como patrimônio imaterial.”

Filmes que voam
Mais uma iniciativa catarinense com um bom acervo de curtas-metragens e um canal dedicado ao cinema para crianças. E o mais especial, boa parte dos filmes tem audiodescrição para deficientes visuais e janela de LIBRAS para deficientes auditivos.

Videocamp
O site reúne curtas e longas-metragens que tratam de questões ligadas principalmente à educação e aos direitos humanos. Alguns curtas estão disponíveis para assistir online. Porém, a proposta central do Videocamp é promover exibições públicas e gratuitas dos filmes hospedados. Para isso você precisa se cadastrar e organizar a sessão na escola.

Que tal aproveitar e começar um cineclube?

Esperamos que possam aproveitar as dicas!

Quer indicar filmes pra gente? Mande uma mensagem nos comentários!

Escutando nossos filmes

A música esteve presente no cinema desde seus primórdios. Mesmo sem a possibilidade de gravar o som na película, as exibições eram acompanhadas de músicos que executavam uma partitura – original ou não – para cada filme. De acordo com o professor Felipe Salles¹ essa tradição de unir o sentido da visão a audição remonta ao teatro grego.

E assim, foi desde a invenção da sonorização do cinema, em meados dos anos 20, que a maioria esmagadora das obras audiovisuais – comerciais ou não –  passou a contar com a música para criar sensações no público em conjunto com as imagens. O cinema estadunidense, especialmente as produções de gênero, se fundamenta nas trilhas marcantes para anunciar sustos ou levar o público às lágrimas. Você já imaginou assistir à cena do chuveiro de Psicose, (Hitchcock, 1960) sem o “tan tan tan tan” da trilha criada por Bernard Herrmann?

Além de envolver nossos sentimentos a música pode nos ajudar a dar ritmo à montagem das imagens. Uma cena de perseguição ou de luta é muito mais fluida quando temos uma música acelerada. Porém, se queremos dar um sentido mais poético à luta, podemos pensar em uma música clássica, por exemplo.  

É importante ressaltarmos que a trilha sonora dos filmes não são pautadas somente por músicas, mas também pelos ruídos e silêncios – além, claro dos diálogos. O som das crianças brincando pode ajudar a caracterizar um espaço, pode indicar uma memória sobre outra imagem. Por isso, sugerimos que ao editar um vídeo realize primeiramente a escuta atenciosa dos sons e ruídos que foram gravados no próprio vídeo antes mesmo  de inserir músicas incidentais sobre as imagens.

E nada mais oportuno do que criar com as crianças e jovens essa sensibilização para o processo de escuta necessário em todas as etapas da produção de um audiovisual.  Afinal, a música ajuda a construir a narrativa que vai ser compartilhada no filme? Ela vai destacar a presença de um personagem? Vai contribuir para a ambientação do filme? O que queremos dizer com a música?

E principalmente, qual música?

Às vezes, buscamos inspirações para os filmes em nossas músicas favoritas. Porém, não é sempre que nossa produção  combina com essas músicas Às vezes, o tema das letras e o ritmo são muito diferentes da ideia que queremos passar no filme e por isso podem dar um sentido completamente diferente do que pensamos. As músicas mais conhecidas, por exemplo, que já tocaram em novelas e filmes são automaticamente associadas a eles. Além disso, as músicas comerciais possuem os direitos autorais e isso se torna um impeditivo na divulgação do filme.

Mas fiquem tranquilos(as) que há uma solução!

O melhor processo para a trilha musical seria uma criação inédita ou adaptação para o filme. Às vezes, na escola há alunos ou colegas que sabem cantar e tocar instrumentos. Quem sabe podemos explorar esse potencial. Uma outra proposta é buscar músicos na comunidade que podem ceder uma obra para o filme da turma, assim também se valoriza os artistas locais.

Outra opção é buscar uma música que tenha direitos autorais livres, como a licença creative commons. Na internet há alguns bancos de músicas sob esta licença dos quais você pode baixar e utilizar as músicas apenas dando crédito aos autores no final do filme. Em sites como o Free Music Archive, é possível encontrar músicas por gênero, inclusive há um item exclusivo de músicas para filmes.

Comecem a  explorar esses sites e apresentem também às crianças e jovens suas possibilidades. A riqueza dessa etapa de edição é parte importante (talvez a mais importante) da construção do audiovisual, por isso estejam sempre com elas. Esse processo é essencial!

DICA: Se você tiver dificuldade com o inglês, idioma destes sites, você pode utilizar esse plug in do Google no navegador Chrome para traduzir as páginas. 

Karine Joulie

 

¹ http://www.mnemocine.com.br/index.php/cinema-categoria/29-somcinema/162-trilha-sonora

 

Memória do décimo encontro

Acompanhando o desenvolvimento dos projetos de cinema nas escolas participantes, realizamos no 10º  encontro (dia 09 de junho),  uma oficina de edição de vídeos com Movie Maker.  

O Movie Maker é um software para a criação de vídeos domésticos, que acompanhava o pacote básico das versões do sistema Windows, até o início de 2017. Apesar de nos alinharmos à ideia da livre produção e compartilhamento do do conhecimento, compreendemos a necessidade de trabalhar com as ferramentas compatíveis com os computadores e notebooks disponíveis aos professores e escolas no âmbito do projeto. Mas, para quem é adepto de softwares livres e deseja editar vídeos leia a  matéria do site Ecoarte você vai encontrar sugestões de softwares de edição gratuitos e/ou abertos também para Ubuntu (Linux).

Interface do Movie Maker
Interface do Movie Maker

A professora de Cinema Ally Collaço ofereceu uma oficina introdutória na qual apresentou os pré-requisitos para a edição (configurações do computador, a organização e seleção dos arquivos e trechos de vídeos, as possibilidades de trilha musical); os comandos iniciais para se criar um projeto de vídeo (como importar arquivos e exportar o projeto); e as principais ferramentas do software (corte bruto, divisão do vídeo, velocidade, efeitos, créditos, etc.).

Houve um momento de experimentação pautado por um desafio: montar um filme de 30 segundos com fotos e vídeos produzidos no contexto do projeto Cinema na Escola. Ao longo do trabalho, muitas dúvidas foram surgindo devido às diferentes versões do software, formatos de arquivo, entre outras questões. Em função disso, decidimos promover mais um encontro de edição, para praticar o uso do software e falar um pouco mais sobre montagem.

Quem quiser aproveitar para pesquisar mais sobre o software no Youtube, encontramos diversos tutoriais básicos e avançados que podem nos ajudar na hora das dúvidas.

Finalizou seu vídeo? Compartilhe conosco deixando o link aqui nos comentários!

Buscando inspiração em outras formas de arte

Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas
Manoel de Barros, Retrato do artista quando coisa

Quando queremos apresentar o nosso ponto de vista sobre algo que nos cerca, buscamos formas que sejam espontâneas e sinceras de contato com o outro. A arte, em suas diversas manifestações, faz esse papel. Às vezes mais claro e objetivo, como na experiência do cinema, que nos leva em viagem por lugares e culturas distantes ou nos direciona a atenção para algo que não conseguimos perceber no dia-a-dia. Outras vezes, esses olhares sobre o mundo são construídos de uma forma completamente incomum, num movimento de reapropriação e ressignificação dos objetos, corpos e meios, como na arte contemporânea.

Aqui quem lhes escreve é Karine. Eu queria compartilhar um pouco do que tem me inspirado e me atraído para além do cinema, pensando em relações que podemos estabelecer com nossos processos de criação coletiva de imagens, mas sobretudo no intuito de expandir o nosso diálogo da escola com outros campos da arte.

Na época em que morei no Rio de Janeiro, criei o hábito de toda sexta-feira visitar galerias e espaços culturais para ver exposições de arte e peças de teatro. Há uma variedade de programações culturais em toda cidade, mas eu gosto de ir ao Centro porque caminhar por suas ruas é uma experiência de encontros com a memória do país. Muitos dos prédios, ainda bem preservados, datam do período colonial e são cenários de muitas referências da nossa cultura, especialmente da literatura e das novelas. Confesso que da primeira vez que caminhei pela Rua do Ouvidor, me senti uma personagem de Machado de Assis. Esse mesmo sentimento me faz retomar o hábito todas as vezes que tenho oportunidade, e a cada passeio me sinto personagem de outra história.

No início do mês de junho fui ao Rio para participar do IX Seminário Redes Educativas e as Tecnologias (assunto deste post) e aproveitei para visitar algumas exposições que estão abertas. Dentre as cinco que percorri em uma tarde,  gostaria de falar sobre Objeto Vital, do coletivo de artistas cubanos Los Carpinteros (Alexandre Arrechea, Dagoberto Rodriguez e Marco Castillo) em temporada no Centro Cultural do Banco do Brasil.  

São três blocos de obras produzidas em diversos suportes, materiais e técnicas: pintura em aquarela, esculturas em madeira, metal e lego, além de dois filmes. Nas palavras do curador, Rodolfo de Athayde, “a exposição pretende desvendar esse conceito de ‘vitalidade’ que os objetos ganham através da arte, e essa descoberta é proposta por meio de uma arqueologia da obra dos artistas”.

Com as obras “lado a lado” é possível perceber além do desenvolvimento das técnicas dos artistas, uma progressão histórica do contexto no qual atuam, primeiro em Cuba e depois num sentido “transterritorial”. O início da exposição apresenta um diálogo com a carpintaria, nas esculturas de móveis e quadros trazendo inscrições de crítica política (1). Dali em diante passam a ser incorporados recursos do design industrial e arquitetura, na recriação de edificações urbanas com os formatos incomuns, que lembram um pouco da interação homem-máquina presente na ficção científica.

Los carpinteros brincam com nossa imaginação produzindo tijolos em miniatura para construir pequenas casas com divisórias para ninguém habitar (2). As divisórias, também se fazem presentes nas obras que são armários e nas que não são: relógios (3) e mísseis perdem sua função original enquanto tornam-se objetos “inofensivos” expostos num salão. Estantes são sinuosas, como se derretessem numa tarde de sol, assim como os instrumentos da obra Cuarteto (4) que parecem esgotados de tanto serem tocados. As quatro fases da lua em violões (5) e uma cidade numa sandália de dedos (6) que podem ser prólogos dos poemas de Manoel de Barros.  Uma coleção de xícaras enclausuradas na parede (7) me levou de volta ao filme de Daniela Geisler, A velha que colecionava xícaras (2015), cuja instalação fez parte da exposição Making Of (MIS) que visitamos no encontro do Cinema na Escola de 23 de maio.

O que traz vida aos objetos vitais é a participação do público, com nossa imaginação repleta de outras imagens. Uma exposição com essa variedade de formas de ver o mundo só se concretiza porque nós também somos plurais e trazemos nossas próprias angústias e expectativas em relação à política, tecnologia, à exploração dos recursos naturais, violência no meio urbano, etc. Manifestações de arte contemporânea como esta são promissoras em contextos educacionais que se propõe a uma formação ampla para a cidadania, pois ela nos inclui em nossas diferenças.

Uma vez que mídia nos impõe representações limitadas sobre ser e estar nesse mundo, é importante oferecer às crianças e jovens essa diversidade de pontos de vista numa ação de respeito às suas singularidades e desmistificação de preconceitos acerca da alteridade. Além disso, esses encontros com a arte podem inspirar nossas práticas nas aulas e oficinas.

Se você tiver oportunidade de ir ao Rio até 02 de agosto, visite Objeto Vital. Mas não deixe de aproveitar também as exposições que estão aqui pertinho.

As galerias do Museu de Arte de Santa Catarina (MASC) estão recebendo 4 exposições contemporâneas, dentre elas Palavra em movimento, com trabalhos de Arnaldo Antunes reunindo poesia e arte em vídeos, colagens e objetos. Outro destaque é o projeto Claraboia, que propõe a instalação performativa Máquina Orquestra projetada a oito mãos como um sistema eletrônico complexo que mistura esculturas com sucata, produção de sons sintéticos e vídeos ao vivo. Saiba mais sobre as exposições, artistas e agendamento aqui. Acompanhe as exposições e sempre que possível, compartilhe essas experiências com os(as) estudantes e suas famílias.

Karine Joulie.